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Solidão Além-Túmulo

Conformei-me com meu simulacro de vida cativando meus inquisidores salvaguardando minha desabitada alma num autoexílio preguiçoso. Meu corpo movia-se à deriva remendando pensamentos que transitavam por uma mente letárgica e desiludida com a vida. Minha esperança esvaneceu-se quando me conscientizei de que não mais poderia trilhar meu caminho ao lado do homem que monopolizou minha alma. Ofuscaram o esplendor de meu (ser) mulher com as tradicionais chantagens que segregaram os anseios de incontáveis gerações femininas. Prometeram-me uma vida ludibriada por dias desoladores que me forçava a flertar com a morte na esperança de unir-me ao calor de sua alma por toda eternidade. Minha existência livrar-se-ia da agonia de posse de meus pensamentos em face de meu último respirar assim libertando-me deste jovem corpo transformado em prisão. Uma vez alforriada desta escravidão nobre e branca, meus descendentes esquecer-se-iam de minha pobre carcaça jogada à  solidão além-túmulo no magnífico mausoléu de nossa família. A morte era a única justiça palpável aos desvalidos encurralando os nobres a sepulcrarem as ilusões detentoras de suas mentes restando-lhes apenas a dívida do espírito a ser julgada pelo infinito.

A Cidade Vive

Poema retirado do livro 'A Casa dos Versos Silenciosos' - agora, adaptado como prosa poética.

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